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	<title>Chamame .com.br &#187; Antonio Sepp</title>
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	<description>Chamamé sem Fronteiras</description>
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		<title>Aproximação ao Conceito de Chamamé</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 00:45:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chamame.com.br</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Gonzalo &#8220;Pocho&#8221; Roch</em></p>
<p>Ao falarmos de &#8220;nosso patrimônio cultural correntino&#8221;, se acende a chama de nossos sentimentos mais profundos. Se despertam as luzes do sendero milenar de nossas tradições, e fundamentalmente, originadas na matriz da cultural religiosa. E é neste &#8216;meio&#8217; que se move a expressão cultural mais autêntica, &#8220;<strong>O Chamamé</strong>&#8220;.</p>
<p>A expressão cultural musical original do homem é o canto. Aqui se unem os bens sonoros essenciais, &#8220;a palavra e a melodia&#8221; &#8211; sucessão temporal de sons de diferentes alturas, dotados de sentido musical. E o ritmo primogênito, também se origina no interior do ser humano, desde as próprias batidas do coração.</p>
<p>A palavra de cada cultura, conforma idiomas que traduzem o mais fiel reflexo objetivo delas. Com sons labiais, guturais, nasais e guto-nasais, e o sotaque implícito dos sentimentos e pensamentos. Esses vão criando a magia da eloquência, uma só frase soa a melodia, e uma só cadência e acentos de pronúnciação nos permite adivinhar a origem da pessoa que nos fala. Então também, cada sílaba é uma nota de um tom, e cada palavra, um arpejo, ninando nos silêncios da alma. Creio que o homem é uma pilha de saudades. As nostalgias que a vida lhe proporcionou nos caminhos da eternidade. E uma gratidão expressada sinceramente desde suas originais orações cantadas e em suas &#8220;rezas danças&#8221; ou “ñemboë yeroquí”, como era o &#8220;chamamé&#8221; originário de nossos guaranís correntinos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-343" style="border: 1px solid black; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;" title="Guaranís" src="http://chamame.com.br/wp-content/uploads/2008/09/ninos-2__-1_tonemapped-300x181.jpg" alt="" width="300" height="181" /></p>
<p>A religião guaraní diz que: &#8220;O primeiro que Deus criou foi o idioma&#8221;, Ñeë ou Ñeëng, &#8220;porção divina da alma&#8221;, ou &#8220;palavra alma&#8221;. Esta linguagem, futura essência da alma, enviada aos homens, participa de sua divindade. E logo cria &#8220;O amor ao próximo&#8221; e &#8220;os hinos sagrados&#8221;.</p>
<p><span id="more-342"></span></p>
<p>Assim “ñeë”, com acento nasal, significa &#8220;idioma&#8221;, &#8220;palabra&#8221;, e na linguagem religiosa, &#8220;palavra-alma&#8221;. “Ñe’ë y”, segundo o estudioso antropólogo <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Le%C3%B3n_Cadogan" target="_blank"><strong>León Cadogan</strong></a> em seu livro “Ayvú Rapyta” (1992), é o espírito que os deuses enviam, para que encarne na criatura próxima a nascer.</p>
<p>&#8220;Os hinos e orações, são a única fonte fiel para a reconstrução da religião indígena&#8221;. &#8220;Para o guaraní, a palavra é tudo. E tudo para ele é a Palavra&#8221;. Assim sintetiza P. Bartolomeu Meliá, um dos mais prestigiosos estudiosos da cultura guaraní, analisando seus mitos, &#8220;cantos&#8221; e rituais. (El Guaraní – Experiencia Religiosa – 1.991), &#8220;a palavra guaraní se diz e se faz. Os caminhos da palavra, seus sacramentos são &#8220;O canto e a dança. (seus ñeë mboë yeroquï)&#8221;.</p>
<p>O chamamé, era originalmente um “ñeë mboé yeroquí”, que realizavam especialmente em gratidão à &#8220;Tupã&#8221;, Deus da Chuva. Diferentes antropólogos, estudiosos desta cultura, concordam em afirmar que os cantos apresentam categorias bem diferenciadas, como os “Guaú eté”, “Verdadeiros Autênticos Cantos Sagrados”, também chamados &#8220;purahei&#8221;. Os Guaú ai&#8221; (pequenos cantos sagrados) e os “coti-hú”, que poderiam ser escutados por todos, inclusive por pessoas estranhas.</p>
<p style="text-align: left;">Os “guaúete” ou “verdadeiros cantos sagrados”, também conhecidos como &#8220;purahei&#8221;, só se acompanham com o &#8220;mbaraca&#8221; &#8211; maráca ou sonajera (chocalho). O mesmo é executado pelo &#8220;pajé&#8221; guaraní, com sua mão direita, e o  “takuapú” &#8211; instrumento musical de taquara, espécie de bastão de ritmo, que é utilizado pelas mulheres, também a mão direita &#8211;  &#8220;No caso dos &#8220;guaú&#8221;, o canto, a música e a dança, forma um todo invisível&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Hoje em dia, é demonstrado assim, até nos vídeos filmados de suas &#8220;danças do amanhecer&#8221; e do &#8220;atardecer&#8221;, e na trivialidade &#8220;mbya guaraní&#8221;, situada na atual província de Misiones &#8211; Argentina, do conhecido Cacique o “Tubichá” que adotou o nome de Lorenzo Ramos&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Tudo até aqui reunido pelos mais destacados estudiosos desse tempo, e de minhas visitas a grupos e trivialidades guaranís. Isso nos demonstra a profunda religiosidade, intimamente relacionada a sua &#8220;palavra &#8211; alma&#8221; &#8211; seus cantos sagrados &#8211; –guaúeté-), e suas rezas-danças &#8211; ñeë mboé yerokï-.</p>
<p style="text-align: left;">E esta forma de vida, era compartida naturalmente em grupos familiares, que formavam suas &#8220;tabas&#8221; ou &#8220;aldeias&#8221;. Estavam distribuídas em diferentes parcialidades, associados e afinados em crenças, costumes e tradições, e com uma estreita relação de parentesco. Estes assentamentos eram conhecidos antigamente com o nome de &#8220;<strong>guara&#8221;</strong>, nome que determinava &#8220;uma certa região &#8211; normalmente delimitada por rios&#8221;; guara é um termo reunido pelo próprio P. Antonio Ruiz de Montoya-.</p>
<p style="text-align: left;">Creio que esta é a origem do homem &#8220;guaraní&#8221; &#8211; de &#8220;guara&#8221;, unidade social e geográfica. Existem muitos exemplos em toda a extensão das culturas guaranís que apoiam essa tese. (ver: &#8220;guara&#8221;, adeia e rio de Habana &#8211; Cuba). Guararé, antigo &#8220;guara&#8221;. Distrito sul de Panamá. Guaray, &#8220;arroio&#8221; dos &#8220;guara&#8221;, no departamento de San Javier, Misiones, Argentina.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-345" style="border: 1px solid black; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;" title="Guaranís" src="http://chamame.com.br/wp-content/uploads/2008/09/guaranies-rio-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></p>
<p style="text-align: left;">Anselmo Peralta e Tomás Osuna, em seu dicionário da língua guaraní, editado em 1952, traduz assim esta palavra &#8220;guará&#8221;, prefixo, origem &#8211; procedência &#8211; substantivo &#8211; casta &#8211; raça. Quis mostrar até aqui, como a religiosidade, pautava toda sua vida e todas suas expressões culturais, assim como seus &#8220;guáu&#8221; e seus “ñeëmboé yeroquï”.</p>
<p style="text-align: left;">Seus Ñeë Mboé Yeroquï, como aqui em Corrientes seus &#8220;Chamamé&#8221;, (que se realizavam nos dias de chuva), e seus &#8220;sapukái&#8221; (que se realizavam nos dias de eclipse). E o natural de sua prática, somente podia desenvolver-se no âmbito intimista familiar de seus pequenos &#8220;guaras&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Por todo citado até aqui, ressaltam os valores essenciais, os nomes superficiais, correspondentes ao nosso chamamé, estão expondo um desconhecimento de seus fundamentos de vida e da etimologia da linguagem religiosa, da cultura guaraní correntina que originou o mesmo.</p>
<p style="text-align: left;">Pelo contrário, também até hoje existem nas ruínas dos povos jesuíticos, talhados nas pedras de seus grandiosos templos, anjos tocando as &#8220;mbaraca&#8221;, que era o instrumento religioso guaraní por excelência. Com este instrumento dirigiam seus “ñeëmboé Yeroquí” (rezas e danças guaranís), seus antigos sacerdotes, ou “avá payé”, abrindo perguntas sobre uma espécie de “ecumenism” antigo da época misional.</p>
<p style="text-align: left;">Das &#8220;Rezas &#8211; Danças&#8221;, também já conta os livros do antigo testamento, (cento e cinquenta salmos cantados, com acompanhamento de arpas, flautas, salterios, (um dos instrumentos que executava o Padre Antonio Sepp, quando chegou no ano de 1691 a Yapeyú), tambores, címbalos e trompetas). Também até hoje, se dança na Catedral de Sevilla, no dia de “Corpus Cristi” o baile de &#8220;Los Seises&#8221;, mostrando através do tempo uma forma de gratidão a Deus, em culturas distintas e distantes.</p>
<p style="text-align: left;">Até aqui minhas palavras para fundamentar meu desacordo com tantas definições que considero equivocadas. Demostrando além do mais, um desconhecimento mínimo das condições que rodeam, sustentam e enriquecem uma cultura expressada através de um antiguíssimo e sagrado linguagem religioso. Tudo isso, para nomear o mais querido, como é este gênero musica tão correntino &#8211; &#8220;nosso milenar chamamé&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;"><em>Por Gonzalo &#8220;Pocho&#8221; Roch<br />
Tradução Igor Alecsander</em></p>
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